segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Crônica

Encontros e desencontros...

Todos os dias ela faz o mesmo caminho até o trabalho. Ônibus, metrô, mais uns 10 minutos caminhando, tempo suficiente para reparar em muitas coisas: pessoas, cenas, imagens, prédios, até as calçadas esburacadas ela consegue perceber enquanto o ônibus briga para conseguir seu espaço.
Um dia nunca é igual ao outro, apesar do mesmo caminho, das mesmas pessoas, na mesma fila do ônibus, ou na mesma porta de embarque do metrô.
Ela presta atenção na senhora oriental que todos os dias está religiosamente no mesmo horário e na mesma porta. Com o tempo ela foi percebendo que até o locar de espera da senhora era o mesmo.
Como todos os dias, embarcou no metrô Jabaquara com destino à estação Belém do metrô, passou a vista na plataforma e entrou no vagão mais vazio que achou. Lá ela pensa na faculdade, nos problemas da vida, e quanta gente tem em São Paulo!
Certo dia ela percebe na estação Saúde um rapaz moreno que a fez pensar – Que saúde! Passou a observá-lo de longe, discretamente. Rapaz moreno, alto, simpático, e com um sorriso que a fez querer que o dia seguinte chegasse logo para vê-lo novamente.
Os dias foram passando até que certa vez houve uma pane no Metrô e todos foram convidados, gentilmente, pelo rapaz da cabine, a se retirarem da composição. Ela pensou – É agora! Caminharmos como que um ao encontro do outro e ele puxou aquele assunto mais bobo possível – É, temos que sair né? Claro que sim, o condutor já havia pedido, dou a isso o nome de Caçassão de assunto.
Tímida, mas feliz pela atitude, ela respondeu que sim e a conversa rendeu. Rendeu mais de dois anos, que passaram tão rápido... Trocaram olhares, beijos, abraços e momentos bons. Tudo inusitado, começando com olhadelas no Metrô.
Do jeito que começou acabou! Não se encontraram mais nos vagões nem nas plataformas. Não souberam mais um do outro. Apesar de bom, ela estava bem, pois não eram namorados, não existiram rótulos, somente sentimentos.

Há alguns anos se encontraram e ele a olhou da com aquele olho pidão, mas ela hoje é mãe de família, casada com um moreno que trocou olhares, mas dessa vez na Igreja!

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