Cena I
Narrador: Em
uma manhã de domingo, Lúcia caminhava suavemente em direção à padaria que
ficava próxima de sua residência. No meio do caminho, questionava-se se era
melhor comprar pão para o café da manhã, ou os ingredientes para fazer seu
maravilhoso macarrão para o almoço, quando de repente foi abordada por dois
assaltantes...
Assaltante I:
(nervoso) - Moça passa tudo que você tem aí.
Assaltante II:
- Tudo mesmo e bem rápido, estamos com pressa.
Lúcia: (desesperada)
- Calma senhores, eu tenho somente alguns trocados que eu iria comprar pão.
Assaltante I:
(com um tom satírico) - Mentira! Sei que tem muito mais escondido, já te
observo há meses, todos os domingos você passa aqui, nesse mesmo horário, vai à
padaria, compra suas coisas que não são poucas, e ainda deixa “alguns trocados”
para aquele senhor que fica na porta da igreja.
Assaltante I:
(com medo e muito agitado) - Mano, muita conversa, daqui a pouco os poliça pega
a gente aqui.
Lúcia: - É
verdade, hoje saí despreparada, só trouxe esses trocados, olhem (abre a mão e
mostra o dinheiro).
Assaltante I:
(irritado) - Num acredito nisso, perdi minha manhã toda para nada, véio você me
deu certeza que hoje o role valeria a pena.
Assaltante
II: - fica traquilo, essa eu garanto para você! (dirigiu-se à moça) então passa
o seu celular.
Lúcia: (aflita)
- Mas não trouxe meu celular, ficou em casa carregando.
Assaltante I:
- E agora? O que vamos fazer? Vamos embora!
Assaltante
II: (sem paciência) - Moça, dá esse anel aí, é de ouro?
Lúcia: - Não,
é banhado! (tenta tirar do dedo) Mas não dá, só sai com sabão.
Assaltante
II: - É desculpa, ranca logo do dedo dela.
Lúcia: - Não
é não, ele está preso!
Assaltante
II: - Vamos deixar essa louca aqui, vamos...
Os dois
assaltantes pegam os trocados de Lúcia e fogem em direção oposta a padaria.
Cena II
Lúcia, após o
assalto, desespera-se e começa a chorar sem cessar. Naquele momento, um
policial que fazia monitoria ali próximo depara-se com aquela situação e resolve
conversar com ela.
Policia: -
Senhora, o que aconteceu, posso ajuda-la?
A moça não
diz nada, faz um gesto com a cabeça que diz sim e abraça-o. O policial sem
compreender nada, concede o abraço a moça, mas aquele abraço foi tão
envolvente que o sentimento dele não era de compaixão, mas de desejo,
um desejo carnal que ele não conseguia descrever. Porém, novamente questiona-a
o que está acontecendo.
Policial: -
Calma, me conta, o que foi?
Lúcia: (com a
voz rouca e soluçando) - Acabei de ser assaltada.
Policial: -
Mas como aconteceu, quando, como eram os caras, eles foram para qual direção,
te agrediram?
Lúcia:
(chorando) – Não sei, não lembro, estou com medo, me tira daqui, quero ir para
casa.
O policial
respeitou o pedido da moça, estava concentrado no acontecimento, mas não
conseguia admitir como aquela moça havia mexido tanto com ele. Os dois ficaram em
silêncio por algum tempo, até que...
Lúcia: - Você
pode me levar para casa, eu moro há duas quadras daqui, meu marido está me
esperando.
Policial: -
Preciso te levar para delegacia, para fazer um boletim de ocorrência.
Lúcia: - Mas me
deixa passar em casa primeiro, meu marido precisa saber.
Policial: - Não
posso ir a sua casa, no meio do caminho você liga para ele.
Os dois
entram no carro e vão à delegacia.
Cena III
Antes de
chegar à delegacia, Lúcia desesperada liga para seu marido, conta basicamente o
que havia acontecido e pede para que ele encontre-a na delegacia. Ao chegar la, faz o boletim de ocorrência, quando terminou percebeu que seu marido
esperava-a sentado na sala de espera.
Lúcia: -
Querido, bom que você está aqui.
Seu marido: -
Como você está? O que aconteceu?
Lúcia: - Calma,
foi apenas um susto, está tudo certo. Podemos ir embora.
Saem da
delegacia e deparam-se com o policial que havia dado assistência à Lúcia
Lúcia: - Ele
é o policial que me ajudou.
Marido: (aproxima-se
do policial e aperta sua mão) - Muito obrigado, é bom saber que existem pessoas
como você para cuidar da nossa segurança.
Policial: -
Desconsidere, estou fazendo apenas meu trabalho. (olha para a Lúcia).
Lúcia: -
Obrigada!
Policial: - É
bom ver você bem, se cuida.
O casal
prossegue seu caminho, o policial observa-os até que não poder mais, estava
confuso, pois não sabia ao certo porque aquela moça havia despertado tais
sensações, mas tinha certeza que um dia a reencontraria e esses pontos
inacabados seriam resolvidos.
NIKE
KENON DOS SANTOS
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