domingo, 24 de novembro de 2013

Peça teatral: Romance policial

Cena I 

Narrador: Em uma manhã de domingo, Lúcia caminhava suavemente em direção à padaria que ficava próxima de sua residência. No meio do caminho, questionava-se se era melhor comprar pão para o café da manhã, ou os ingredientes para fazer seu maravilhoso macarrão para o almoço, quando de repente foi abordada por dois assaltantes...

Assaltante I: (nervoso) - Moça passa tudo que você tem aí.

Assaltante II: - Tudo mesmo e bem rápido, estamos com pressa.

Lúcia: (desesperada) - Calma senhores, eu tenho somente alguns trocados que eu iria comprar pão.

Assaltante I: (com um tom satírico) - Mentira! Sei que tem muito mais escondido, já te observo há meses, todos os domingos você passa aqui, nesse mesmo horário, vai à padaria, compra suas coisas que não são poucas, e ainda deixa “alguns trocados” para aquele senhor que fica na porta da igreja.

Assaltante I: (com medo e muito agitado) - Mano, muita conversa, daqui a pouco os poliça pega a gente aqui.

Lúcia: - É verdade, hoje saí despreparada, só trouxe esses trocados, olhem (abre a mão e mostra o dinheiro).

Assaltante I: (irritado) - Num acredito nisso, perdi minha manhã toda para nada, véio você me deu certeza que hoje o role valeria a pena.

Assaltante II: - fica traquilo, essa eu garanto para você! (dirigiu-se à moça) então passa o seu celular.

Lúcia: (aflita) - Mas não trouxe meu celular, ficou em casa carregando.

Assaltante I: - E agora? O que vamos fazer? Vamos embora!

Assaltante II: (sem paciência) - Moça, dá esse anel aí, é de ouro?

Lúcia: - Não, é banhado! (tenta tirar do dedo) Mas não dá, só sai com sabão.

Assaltante II: - É desculpa, ranca logo do dedo dela.

Lúcia: - Não é não, ele está preso!

Assaltante II: - Vamos deixar essa louca aqui, vamos...

Os dois assaltantes pegam os trocados de Lúcia e fogem em direção oposta a padaria.

Cena II

Lúcia, após o assalto, desespera-se e começa a chorar sem cessar. Naquele momento, um policial que fazia monitoria ali próximo depara-se com aquela situação e resolve conversar com ela.

Policia: - Senhora, o que aconteceu, posso ajuda-la?

A moça não diz nada, faz um gesto com a cabeça que diz sim e abraça-o. O policial sem compreender nada, concede o abraço a moça, mas aquele abraço foi tão envolvente que o sentimento dele não era de compaixão, mas de desejo, um desejo carnal que ele não conseguia descrever. Porém, novamente questiona-a o que está acontecendo.

Policial: - Calma, me conta, o que foi?

Lúcia: (com a voz rouca e soluçando) - Acabei de ser assaltada.

Policial: - Mas como aconteceu, quando, como eram os caras, eles foram para qual direção, te agrediram?

Lúcia: (chorando) – Não sei, não lembro, estou com medo, me tira daqui, quero ir para casa.

O policial respeitou o pedido da moça, estava concentrado no acontecimento, mas não conseguia admitir como aquela moça havia mexido tanto com ele. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, até que...

Lúcia: - Você pode me levar para casa, eu moro há duas quadras daqui, meu marido está me esperando.

Policial: - Preciso te levar para delegacia, para fazer um boletim de ocorrência.

Lúcia: - Mas me deixa passar em casa primeiro, meu marido precisa saber.

Policial: - Não posso ir a sua casa, no meio do caminho você liga para ele.

Os dois entram no carro e vão à delegacia.

Cena III

Antes de chegar à delegacia, Lúcia desesperada liga para seu marido, conta basicamente o que havia acontecido e pede para que ele encontre-a na delegacia. Ao chegar la, faz o boletim de ocorrência, quando terminou percebeu que seu marido esperava-a sentado na sala de espera.

Lúcia: - Querido, bom que você está aqui.

Seu marido: - Como você está? O que aconteceu?

Lúcia: - Calma, foi apenas um susto, está tudo certo. Podemos ir embora.

Saem da delegacia e deparam-se com o policial que havia dado assistência à Lúcia

Lúcia: - Ele é o policial que me ajudou.

Marido: (aproxima-se do policial e aperta sua mão) - Muito obrigado, é bom saber que existem pessoas como você para cuidar da nossa segurança.

Policial: - Desconsidere, estou fazendo apenas meu trabalho. (olha para a Lúcia).

Lúcia: - Obrigada!

Policial: - É bom ver você bem, se cuida.

O casal prossegue seu caminho, o policial observa-os até que não poder mais, estava confuso, pois não sabia ao certo porque aquela moça havia despertado tais sensações, mas tinha certeza que um dia a reencontraria e esses pontos inacabados seriam resolvidos.


NIKE KENON DOS SANTOS

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